BAIRRO DA LIBERDADE: A VERDADEIRA HISTÓRIA

A solução dos problemas do Bairro da Liberdade remonta ao mandato de João Soares como Presidente da CML e de Carlos Rodrigues dos Santos como Presidente da Junta de Campolide, ambos eleitos pelo Partido Socialista. Ao tempo havia um acordo com a Vereadora da CML Margarida Magalhães para um projecto de reconstrução progressiva do Bairro da Liberdade. Uma por uma, as casas seriam demolidas, dando lugar a prédios de três andares. Demolição e construção de um prédio de cada vez, de forma a que ninguém tivesse de sair do Bairro, desejo expresso desde o início pelos seus moradores. No espaço de alguns anos toda a área seria requalificada, através da concretização de um projecto eficaz e realista, tendo em conta tanto as finanças da CML, como o desejo dos seus habitantes. O projecto estava aprovado e o financiamento reunido através da consignação de fundos da CML.
Decorria a concretização deste projecto quando Pedro Santana Lopes ganhou as eleições a João Soares, sucedendo-lhe no cargo de Presidente da CML. Necessitado de fundos para obras de maior envergadura e mediatismo, como foi característico do seu mandato, Pedro Santana Lopes, o novo edil de Lisboa, suspendeu o projecto, libertando os fundos para pagar projectos como o do novo Parque Mayer a Frank Gehry.
Começou entáo o jogo com os habitantes do Bairro da Liberdade. Ao longo do seu mandato a Vereadora Helena Lopes da Costa retirou pessoas do Bairro, realojando-as dispersas por toda a cidade, ignorando o sentimento e desejo de quem partilhava a vida quotidiana num espaço singular. A confusão foi tanta que se chegou a deslocar pessoas que tinham casas particulares arrendadas, para passado pouco tempo os seus donos as arrendarem a novos arrendatários.
Outros casos houve em que as pessoas foram desalojadas e voltaram para reocupar as suas casas. Com o tempo nasceu construção clandestina. Enfim, um sem número de ilegalidades, descoordenações e vergonhas, patrocinadas por que nunca teve vontade nem sensibilidade para gerir um problema tão sensível.
Infelizmente a história não ficou por aqui. Náo satisfeito com o mal feito até então, Pedro Santana Lopes havia de se debruçar de novo sobre o Bairro da Liberdade. Com a megalomania do costume, encomendou um projecto de construcção de raiz em todo o Bairro. Depois de concluído, este projecto foi enviado para a Comissão Coordenadora de Lisboa e Vale do Tejo, no mandato de Carmona Rodrigues, pela Vereadora da CML Gabriela Seara, aguardando neste momento aprovação. Tendo em conta as verbas envolvidas e a qualidade do projecto, parece óbvio e inevitável a todos quantos o viram que não se destinará a habitacao de quem durante tanto anos viveu e sentiu o Bairro da Liberdade, devido ao elevado valor das rendas estimadas.
Foi desta forma que Santana Lopes primeiro, e Carmona Rodrigues depois, fizeram o funeral ao Bairro que era um dos corações de Campolide.

Lisboa tem memória! Outra vez...não!

N. Almeida

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