SANTANA DESEJA COLO

Bem vindo. Gosto de ver o menino guerreiro de volta, para animar os lisboetas com as suas diatribes.
Recordo o sacrifício inglório que ele fez para estar com sentido de Estado naquela desastrada tomada de posse no Governo. Deu pena, só de ver a dificuldade com que lia o discurso, e as folhas trocavam-lhe as voltas, o texto parecia truncado, estragando uma sessão que deveria ter sido solene. Aparentava desnorte, cansaço. Parecia a ressaca de uma intensa e prolongada véspera de trabalhos.
Os lisboetas também se lembram do seu virar de costas a Lisboa, na câmara, abandonando a nossa capital. Carmona ficou com a tarefa. Santana não lhe agradeceu. Quem não se lembra de um célebre envio de cartão de agradecimento a Machado de Assis? Pois foi. Em 2003, era Santana Lopes presidente da CML, quando enviou um cartão a Machado de Assis, escritor brasileiro do século XIX, falecido em 1908, agradecendo-lhe um livro que, entretanto, chegara ao seu gabinete.
Das duas, uma, ou teve medo de agradecer a Carmona ou está à espera que ele morra para fazê-lo.
Mas a democracia é assim mesmo. Santana tem o direito de voltar à ribalta, de aproveitar as contradições do seu partido. Lisboa é importante, serve a sua ambição de voltar a ser líder do PSD. Há desforras por fazer. Há contas para ajustar com Barroso, com Manuela. Lisboa perdoa-lhe. Mas não esquece. Não esquece a sua insustentável leveza. Os credores da Câmara não esquecem o abandono a que foram votados. Os trabalhadores não lhe perdoam o tê-los deixado entregues a si próprios, sem contratos. Enfim, sabemos que Santana é um sonhador. Mas os seus sonhos custam muito caro a Lisboa e aos lisboetas.
Lisboa espera por ele, respeitosa. Mas os lisboetas não vão aceitar a sua lamechice, a sua falta de memória.
Lisboa está pronta para lhe dizer: basta, outra vez não! Já chega!
É que Santana em Lisboa nem é tão pouco compensador: nem para Lisboa, nem para os lisboetas, muito menos, cremos, para o PSD.
Cavaco Silva diria que é compensador aprender esta ciência. A Matemática, pois claro.

João Matos

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